quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Anedota de um metrô de superfície.


Quando se trata de política, a mentira tem perna longa e a memória é que tem perna curta.
As propagandas políticas me fazem pensar nas vezes em que fizeram-nos promessas, acreditamos nelas mas não foram cumpridas. Enquanto somos enganados continuamos sorrindo como que numa inocência (ou ignorância) latente.

Hoje eu estava lembrando de um certo prefeito de Vitória ocorrida uns anos atrás. O chamariz de sua candidatura era que ele faria um metrô na bela e pequena ilha de Vitória.  Muitas pessoas se animaram bastante com a ideia de termos um metrô (de superfície, claro) porque o trânsito fluiria melhor – e este está cada vez mais caótico, sugerindo que (o) tamanho (da cidade) não é documento. Esse prefeito foi eleito para, enfim, realizar a maravilhosa promessa.

O tempo passou, e passou, e quatro anos se passaram. Na eleição seguinte, ele estava lá, concorrendo à reeleição. O chamariz de sua campanha? METRÔ. Todas as pessoas adoraram a ideia de termos um metrô, facilitaria muito a vida de todo mundo, chegar em casa depois do trabalho não demoraria tanto mais. Esse prefeito foi reeleito para, finalmente, pôr em prática a promessa de um metrô para os capixabas. Algum tempo passou, mais tempo passou, quatro anos se passaram e o amável prefeito não cumpriu a promessa.
Existem muitas condições, protocolos, burocracias e cálculos para efetivar um projeto, sei disso. A prefeitura de Vitória não é anômala (que eu saiba), ou seja, não foge dessa regra. Contudo, o que importa não é que os governantes (incluo aqui os representantes dos três poderes) ou engenheiros tenham chegado à conclusão de que um metrô de superfície é inviável. Importa que a promessa foi feita DUAS vezes, não foi efetivada e não houve ao menos uma explicação para isso. Então, vou formular duas hipóteses para a promessa não ter se cumprido:
1- O prefeito teve a ideia num momento de pura inocência, todos gostaram dela, ele foi eleito, ele não pôde pensar no assunto “metrô” durante 4 anos de mandato porque tinha outras prioridades, se reelegeu com a promessa de metrô, viu que não ia dar pra fazer metrô, sentou e chorou.
(No caso acima fomos feitos de idiotas.)
2- O prefeito teve a ideia num momento de pura inocência, todos gostaram dela, ele foi eleito, viu que não daria pra fazer metrô e colocou o assunto de molho durante 4 anos, se reelegeu com a promessa de metrô e não fez metrô nenhum porque já sabia que era inviável.
(No caso acima fomos feitos de completos dementes babões.)

Concluo que não importa o que tenha acontecido – a população foi feita (e se fez) de besta ao acreditar numa mentira duas vezes e demasiado bondosa ao dar uma segunda chance para o prefeito.
Espero que, nestas eleições, tenhamos o cuidado de lembrar de quem fez promessas e nunca cumpriu.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Avestruz também anda de elevador.

Ontem eu estava no computador, bastante entretida. Entrou minha mãe no meu quarto segurando com a ponta dos dedos as alcinhas de uma sacola plástica. Ela parou do meu lado e disse: “dentro desta sacola tem um presunto fedorento. Poderia descer e colocar no lixo do prédio pra mim?” Na mesma hora tive que segurar a sacola (usei a mesma tática de usar a ponta dos dedos), comecei a sentir o cheiro do presunto estragado, fiquei com medo de que ele se impregnasse no meu quarto e simplesmente abandonei tudo que eu estava fazendo no computador. Fiquei bastante impressionada com a perspicácia da minha mãe, afinal, ela preparou a situação pra que EU ficasse incomodada com o tal lixo e o levasse o quanto antes para o térreo do prédio.


Eliminei o dito cujo. Ao voltar para o prédio, uma menina vinha atrás de mim. Cheguei nos elevadores, vi que um deles estava naquele andar, então, apertei o botão para que a porta abrisse. Ela abriu. A menina que vinha atrás de mim passou direto, apertou o botão do elevador AO LADO, entrou e foi-se. Eu nem apertei botão algum, fiquei dentro do elevador, pensando por que motivo ela deliberadamente escolheu não pegar o mesmo elevador que eu. Eu não estava mal cheirosa (esse era o presunto), não tinha nada de estranho na minha aparência e, que eu saiba, não tenho nenhum tipo de má fama no meu condomínio. Fiquei bastante encucada e decidi pensar a respeito disso.

A questão mais preocupante aqui não é uma possível fobia de elevador da menina, ou fobia de pessoas (?), ou minha fama questionável (?!), mas sim a escolha de gastar energia extra. De todas as listas com recomendações para economia de energia em um prédio com certeza há “chame um elevador de cada vez” e “se for subir/descer um andar/dois, use as escadas”. E não somente são recomendações famosas, são de senso comum. Em muitos prédios, geralmente os mais luxuosos e os comerciais, é usado um sistema de comando computadorizado que organiza as chamadas e os elevadores, assim, o elevador que está mais próximo do andar solicitante é acionado. Esse tipo de sistema gera uma economia de luz de mais ou menos 40%*, uma porcentagem bastante significativa. Infelizmente nem todos os prédios com mais de um elevador possuem esse sistema porque ainda há uma cultura que o impede – a de só poder usar o elevador “de serviço” quem estiver com animais, carrinhos de compras, etc. Um cultura de restrição do uso dos elevadores que impossibilita a implementação do sistema de que falei.

Mesmo que haja muitos prédios sem esse sistema inteligente, é preciso que OS MORADORES comecem a mostrar alguma inteligência. Não vejo como esperteza da parte de uma pessoa fazer dois elevadores andarem ao mesmo tempo de propósito. Também não é nada inteligente reclamar de ter que pagar condomínio e cotas extras quando se ajuda a gastar mais ainda a energia elétrica, e o contrário de inteligente é o quê?


*Fonte: Atlas Schindler e ThyssenKrupp.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O porquê de "1AVEZ".

Há muitas situações e acontecimentos que são tão impressionantes que nem parece ser possível acontecerem de novo, de tão únicos. É por isso que este blog chama-se 1AVEZ (uma vez). Quero, de tempos em tempos, narrar e opinar sobre alguma situação que tenha acontecido comigo, perto de mim ou “com” a sociedade.

E para cada acontecimento incrível há, no mínimo, um ser ridículo ou abestalhado, um avestruz, que transforma o ocorrido numa tragicomédia. (Sempre apreciei muito os raros momentos em que eu disse: "esse cara é um avestruz!!!") E vou provar que esse avestruz sempre está presente.

Esperem postagens. Acreditem, elas virão, afinal, as propagandas eleitorais estão aí.