Quando se trata de política, a mentira tem perna longa e a
memória é que tem perna curta.
As propagandas políticas me fazem pensar nas vezes em que
fizeram-nos promessas, acreditamos nelas mas não foram cumpridas. Enquanto
somos enganados continuamos sorrindo como que numa inocência (ou ignorância)
latente.
Hoje eu estava lembrando de um certo prefeito de Vitória
ocorrida uns anos atrás. O chamariz de sua candidatura era que ele faria um
metrô na bela e pequena ilha de Vitória.
Muitas pessoas se animaram bastante com a ideia de termos um metrô (de
superfície, claro) porque o trânsito fluiria melhor – e este está cada vez mais
caótico, sugerindo que (o) tamanho (da cidade) não é documento. Esse prefeito
foi eleito para, enfim, realizar a maravilhosa promessa.
O tempo passou, e passou, e quatro anos se passaram. Na eleição seguinte, ele estava lá, concorrendo à reeleição. O chamariz de sua campanha? METRÔ. Todas as pessoas adoraram a ideia de termos um metrô, facilitaria muito a vida de todo mundo, chegar em casa depois do trabalho não demoraria tanto mais. Esse prefeito foi reeleito para, finalmente, pôr em prática a promessa de um metrô para os capixabas. Algum tempo passou, mais tempo passou, quatro anos se passaram e o amável prefeito não cumpriu a promessa.
Existem muitas condições, protocolos, burocracias e cálculos
para efetivar um projeto, sei disso. A prefeitura de Vitória não é anômala (que
eu saiba), ou seja, não foge dessa regra. Contudo, o que importa não é que os
governantes (incluo aqui os representantes dos três poderes) ou engenheiros
tenham chegado à conclusão de que um metrô de superfície é inviável. Importa
que a promessa foi feita DUAS vezes, não foi efetivada e não houve ao menos uma
explicação para isso. Então, vou formular duas hipóteses para a promessa não
ter se cumprido:
1- O prefeito teve a ideia num momento de pura
inocência, todos gostaram dela, ele foi eleito, ele não pôde pensar no assunto “metrô”
durante 4 anos de mandato porque tinha outras prioridades, se reelegeu com a
promessa de metrô, viu que não ia dar pra fazer metrô, sentou e chorou.
(No caso acima fomos feitos de idiotas.)
2- O prefeito teve a ideia num momento de pura
inocência, todos gostaram dela, ele foi eleito, viu que não daria pra fazer
metrô e colocou o assunto de molho durante 4 anos, se reelegeu com a promessa
de metrô e não fez metrô nenhum porque já sabia que era inviável.
(No caso acima fomos feitos de completos
dementes babões.)
Concluo que não importa o que tenha acontecido – a população
foi feita (e se fez) de besta ao acreditar numa mentira duas vezes e demasiado
bondosa ao dar uma segunda chance para o prefeito.
